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“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim!” - Chico Xavier

Carta do Povo de Santo aos Defensores dos Direitos Humanos

Prezad@s,

 

Nós, candomblecistas e umbandistas, estamos morrendo física e simbolicamente. Precisamos de apoio e ajuda. Temos notícias, via imprensa, de que 22 sacerdotes afro-brasileiros foram assassinados nos últimos anos. Nossa convicção é de que esse número pode ser muito maior. Há também reportagens de terreiros depredados, invadidos e incendiados em todo país. Mas, ainda hoje, só sabemos dos casos que conseguem ganhar alguma projeção nos veículos de comunicação. Surpreendentemente, o Estado brasileiro não toma nenhuma providência quanto a isso.

 

A sociedade brasileira naturalizou a violência em relação aos religiosos de matriz africana. Nossas crianças são exorcizadas em salas de aula, nossas adeptos perdem empregos e não recebem atendimento em hospitais públicos (quando revelam suas identidades religiosas). Qualquer um de nós ao portar pertences religiosos (como fios de contas, turbantes e roupas brancas) vira alvo de traficantes nas favelas e na periferia das cidades.

Toda essa realidade é de conhecimento das autoridades. Há quase uma década tentamos ajuizar ações judiciais, fazer registros em delegacias policiais sem nada conseguir. Estamos pedindo socorro... A situação é tão grave que o Ministério Público Federal determinou que a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas crie um departamento especializado nos casos de intolerância religiosa contra o candomblé e a umbanda. Foram 15 pais e mães de santo assassinados nos últimos cinco anos.

 

Enquanto isso, os fundamentalistas religiosos – que atravancam as pautas sobre liberdade de expressão, de crença, direitos da mulher, direitos da população LGBT e a própria formulação de políticas para as minorias – se aparelham nos partidos políticos, no Poder Público, no Congresso, no Judiciário e no Poder Executivo. O Povo de santo jamais foi curral eleitoral de ninguém. Somos poucos, mas muito diversos. E a nossa maior riqueza é a manutenção da diversidade deixada a nós pelos nossos ancestrais – milhares de homens e mulheres que chegaram aqui escravizados e que nos deixaram enorme legado cultural, político e religioso. Nos forjamos na resistência e na rebeldia daqueles que vieram antes de nós.

 

Não estamos diante de uma guerra santa. O que está em curso no país é uma disputa de poder financeiro e eleitoral, rumo a um projeto de poder fundamentalista. As disputas são fundamentalmente econômicas, mas as vítimas são de carne e osso.

Neste dia 10 de junho, próxima terça-feira, a partir das 10h, religiosos da Umbanda e do Candomblé chegam à Praça dos Três Poderes (Brasília) em caravanas. Vamos exigir que a Constituição Federal seja respeitada e que o Estado brasileiro nos trate – a nós, aos nossos filhos e nossos terreiros - com a dignidade e o respeito que qualquer cidadão deste país tem direito.

 

A fogueira está acesa. Venha com a gente! Hoje somos nós, amanhã poderá ser os seus.

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